Uma média e um pingado

Algumas pessoas acham, ou ainda acham, que elogiar algo ou alguém é “fazer média”. A começar pelo fato de gostar muito dessa expressão, descobri recentemente que destacar os pontos positivos de um time ou de um jogador em nada tem a ver com a minha opinião, segundo a ala mais conservadora das análises futebolísticas, eu estou apenas querendo “ficar bem com alguns”.

Pois bem, devo querer ficar bem mesmo com o líder do Campeonato Brasileiro. Eu sou discípula de José Mourinho, que mudou o Chelsea de patamar e o fez um time competitivo, muitas vezes (maioria delas) sem espetáculo, mas de uma disposição de invejar muito camisa 10 idolatrado, mesmo quando passa 75 minutos com sono e acorda pra dar ‘apenas’ um passe pra gol.

Competitividade. Como é que não dá pra elogiar um time que passa por Fluminense, São Paulo, Grêmio, Flamengo e Corinthians em sequência e sem derrotas? Oscilando sim, com escalações que eu questionei e não gostei, sem vencer o Flamengo com um a mais, mas muito competitivo. Dsclp, migo, que prefere 60% de posse de bola! Nada enche mais meus olhos do que um contra-ataque matador.

O Palmeiras do Cuca não é o Cruzeiro do Ricardo Goulart e do Heverton Ribeiro e muito menos a Seleção de 82. Mas também não é o São Paulo do tricampeonato de Muricy Ramalho que não trouxe novidade pra bancada das análises. O Palmeiras de 2016 é um time que aprendeu a sofrer, que muda o jogo no intervalo,  que os jogadores entendem seu treinador pelo olhar e que tem Moises, Tche Tche, Dudu e Gabriel Jesus. Aceitem! Que quarteto!!!

Sobre os craques do campeonato. Quando Kaka voltou para o São Paulo eu aprendi que um jogador não precisa ser o líder em assistências ou o maior goleador pra ser o craque do time. Basta, pra mim, mudar o patamar da equipe, seja com liderança, inteligência e claro, competição. E é assim que eu coloco Diego Ribas entre os meus candidatos. Pra mim – PARTICULARMENTE – não me importa se ele jogou 26 jogos ou 10, a partir do momento que ele joga 5 jogos e muda o cenário do time, migos, ele estará na minha lista sim.

Ao lado de Diego, coloco outro menino da Vila entre os melhores do Campeonato. Robinho, agora  um homem de mais de 30 anos, quando mete aquela camisa 7… muda o cenário. 11 gols no Brasileirão, artilheiro ao lado de Gabriel Jesus. No nosso futebol brasileiro, Robinho faz diferença demais. O Atletico-MG e sua incrível sintonia em recuperar craques.

Vou parar por aqui. Aliás hoje tirei o dia pra fazer média. Como é bom fazer média com quem merece! O G4 do Brasileirão nunca esteve em tão boas mãos, todos que estão ali merecem. E ainda faltam 11 rodadas!

Água de reúso

Fico impressionada como jogador de futebol é descartável no Brasil. Em alguns cantos do mundo também, mas aqui é impressionante.

Fulano jogou mal um mês, o que nós torcedores somos os primeiros a falar? “Tem que mandar embora”, “tem que emprestar”, etc. Salvo situações de falhas de recursos humanos, quando o cara dá trabalho extracampo, por exemplo. Mas não tem Cristo que me faça concordar com a forma descartável como tratam jogador de futebol. Deixam de apostar muito fácil em atletas por aqui. É muito cômodo.

Reconheço que em empresas se o funcionário deixa de render, depois de inúmeras chances de melhorar, ele tem que ser mandado embora. Mas no futebol existe algo chamado planejamento, o tal que a gente cobra tanto. Como é que dirigentes fazem contratos de três ou quatro anos, aí porque a torcida cisma com o jogador tem que mandar embora? Os mesmos jogadores que três meses atrás eram elogiados pelos mesmos.

Calma aí. O clube tem que ter convicção, coisa que está em falta no futebol brasileiro (que toma um 7 a 1 diário nesse critério). Clube de futebol tem que olhar pra proposta que fez quando contratou o jogador e bancar. Dar recursos pro sujeito evoluir, cobrar desempenho diário, dar segurança pra trabalhar e parar com esse negocio de “a torcida está pressionando”. Corinthians mandou embora um jogador de 40 milhões e mais do que isso, fez questão de expor de forma negativa um aditivo do clube porque torcida torcia o nariz pra um jogador de 25 anos! Costumo dizer que o planejamento do Corinthians com Pato foi um dos maiores erros da história do time, atrás apenas da parceria Kia2005 e a saída emblemáticas de Rivelino.

Gostar ou não de um jogador, técnico ou dirigente faz parte. Agora, cabe aos clubes assumirem seus compromissos e bancarem suas convicções. Ou então a cada seis meses vão acontecer renovações de elencos, técnicos serão mandados embora e dirigentes ficarão na boa e sem cobrança ou responsabilidade.

Imagino um diretor de futebol de um clube com convicção e falando o seguinte “fulano, esse aqui é meu elenco, eu não tenho dinheiro pra contratar ninguém. Você pode fazer o quê com esses jogadores? Não pode fazer nada, então vou procurar outro”. E aí sim começa uma história. Caso contrário seguiremos descartáveis. E está evoluindo, infelizmente, a forma descartável como estamos tratando futebol por aqui.

Aqui no Brasil não tem Bayern, Barcelona ou Manchester City que Guardiola escolhe os jogadores que vai trabalhar. Aqui treinador tem que se adaptar a elenco. Aqui treinador tem que mostrar porque recebe salário alto, tem que mostrar porque quer semana livre só com um jogo, etc.

Infelizmente seguimos atacando o efeito e não a causa.

 

Expectativas e certezas

Cuca estreia hoje no Palmeiras. Todas as expectativas com ‘Louco Alexi’ e o Palmeiras que precisa além de vencer, mostrar que sentiu a saída de mais um técnico e em campo terá que reagir.

Sobre o estilo de Cuca, vi apenas um treino. Treinou por 10 minutos a linha de impedimento QUE NUNCA deu certo no Palmeiras 2015/2016 e que até Robinho disse que não estava funcionando (vamos olhar os gols sofridos esse ano). Olhando o treino, conversando com jogadores que conhecem a posição e com as minhas impressões, ficou claro a insegurança dos meninos pra executar a tal linha. Jogar assim requer treino, é um ballet… repetição, repetição e execução. Ainda não consigo imaginar o sistema defensivo do Verde jogando assim. O tempo vai me dizer o contrario (ou não).

O tempo também vai me fazer concordar com o que eu ouvi sobre Cuca na Academia de Futebol. “Esse cara é um louco que vai dar certo aqui. Ele chegou e vai bancar o retorno de Gabriel no meio campo logo num jogo fora e pela Libertadores”. O mundo é dos loucos e foi assim que Cuca conquistou a America com o Galo Doido em 2013. Mas precisa mostrar repertório também.

Além do sistema defensivo, estou igualmente ansiosa pelo ataque de Alexi. Cuca insistiu em jogadas de arremate de fora da área com Allione e Zé Roberto. A execução no treino não foi boa, mas mostrou a preocupação com meias que finalizam quando próximos da grande área. Inclusive, esse é um dos méritos de Jean (que não foi titular contra o São Paulo e deve ficar no banco hoje novamente). Apenas 18% das finalizações do Palmeiras no ano são fora de área, rebote então, muito pouco, 3%. Cuca parece querer o Palmeiras chegando no gol. E mais do que isso, quer o time mais ousado quando próximo da área. Se for isso tem razão. Tem material pra isso, bons volantes e bons atacantes, não pode ficar só com Dudu também essa responsabilidade. Particularmente, espero um Allione mais ligado.

DUDU

O jogador mais importante do Palmeiras (depois de Fernando Prass). Não se omite, se reinventa em campo, cobra os companheiros, se decepciona com os erros, vibra com os acertos e veste mesmo a camisa.

Não por acaso é o segundo jogador que mais atuou no ano (13 jogos), tem também duas assistências e por enquanto apenas 2 gols. Encerrou a temporada 2016 sendo o artilheiro com o melhor número de gols da carreira (16) e vice em assistências (12), tudo isso jogando na então nova posição ‘meia’. Dudu nunca reclamou, pelo contrário.

Inclusive, o 7 do Palmeiras não pode – por nós imprensa  – ficar marcado por ser jogador violento, indisciplinado, ou coisa parecida. Dudu recebeu um cartão amarelo na temporada 2016 e foi no clássico de domingo (também marcou um gol). É um jogador muito solicito, intenso, se desdobra em campo e tem números superiores aos jogadores brasileiros considerados ‘bonzinhos’.

Os bonzinhos foram enterrados pra mim em dois jogos: final da Copa da França, em 1998 e naquele tal de 7 a 1. Dudu é bola!

 

impressões

Tenho visto movimentações legais de algumas poucas torcidas no Brasil. Tais torcidas estão se colocando contra federações, CBF, esse preço absurdo de ingresso e até contra políticos que estão na cara do povo roubando merenda, de uma educação tão sucateada como a do Estado de SP.

Torcida de futebol, pra mim, também é isso. Apoia o time em 90 minutos, mas fora de campo tem seu papel na sociedade. Torcida cobra preço de ingresso, e tem direito. Os caras estão lá toda semana, consomem não só os produtos das lojas oficiais do clube, mas consomem energia e paixão. Meu máximo respeito a essa ala de torcedores que se preocupa com o bem estar comum, e não apenas com bobagens insignificantes do cotidiano de uma sociedade rasa.

Pena que nem todos torcedores pensem assim. E me fazem até concordar com uma frase que eu detesto “já pensou se cobrássemos de políticos como cobramos nossos times de futebol?”, eu acabei de pensar… Não seria nada mal, hein?

FUTEBOL

Dei uma de Gloria Pires e não vi futebol ao vivo esse fim de semana. Gravei o clássico carioca, o jogo do SPFC X Ponte e o jogo do Grêmio. Nem assisti a virada do Chelsea (pra não querer me matar de raiva do Hazard, Diego Costa, etc), e também não vi a brava vitória de Cholo Simeone na Espanha (sem news também). Hoje será tudo na base do “Gostei”, “não gostei”, “legal”,etc. Quero sentir como é falar de um assunto que eu não sei, como a grande maioria faz.

Eu que sempre me dou ao luxo de assistir uns seis jogos por fim de semana, vi apenas Palmeiras X Ferroviária (jogo que com muito orgulho trabalhei) e vi o passeio que o time de Sergio Vieira aplicou em Marcelo Oliveira.

Sai do jogo me perguntando por que o trabalho do querido Marcelo não se desenvolve no Palmeiras, mesmo ele tendo um elenco ótimo, mesmo tendo mais de sete meses de clube e a Ferroviária com três meses de trabalho é a sensação do campeonato.

Torço para que as coisas deem certo quinta-feira contra o Rosario pela Libertadores. É o desafio de cobrir um clube e se descobrir torcedora de amigos! Reajam!

Caso contrário, passarei a cobrir o dia a dia de uma nova comissão técnica. Inclusive, o Palmeiras era pra iniciar a essa semana já sem o técnico bicampeão  Brasileiro. Hoje será um dia quente na Academia de Futebol e a semana ainda mais quente para o Alviverde Imponente.

ps: obrigada aos amores da minha vida por tanto apoio e tanta preocupação. Continuo perdidamente apaixonada pelo meu trabalho e pela minha função.

Hasta la victoria siempre.

 

o preço

Costumo sempre dizer que o jornalismo me escolheu. Eu entrei na faculdade mais velha, aos 23 anos, quando 98% da minha sala tinha entre 17 e 19 anos. Ganhei uma bolsa na PUC depois de três anos de cursinho pre vestibular e as tentativas frustadas de estudar na USP.

No jornalismo fui estagiaria no jornal lance!, na TV Bandeirantes e no site Kigol, tudo ligado ao futebol.

Quando me perguntam o motivo do jornalismo esportivo eu digo que foi porque eu sempre amei futebol. Joguei por 10 anos e sempre fui torcedora. Cresci numa família de torcedores. Daqueles italianos que xingam o juiz, que zoam os vizinhos e que tatuam nome do time na pele.

No jornalismo eu encontrei tudo. O amor pelo futebol e amor à forma de me comunicar. Sempre fui comunicativa. Me pagam pra falar de futebol, e eu ainda posso ir além.

Nao nasci no ano de 2012  quando consegui meu primeiro emprego carteira assinada como jornalista. Nasci em 1985, em março, e vivi uma vida sendo torcedora, indo em jogos, xingando seu time, o meu, o Dunga, o Parreira, o Mano, O Felipão, etc.

O mundo me colocou ao encontro desses caras anos depois. Me lembro do dia que encontrei Felipão pela primeira vez (já como jornalista) e conversamos por 10 minutos sobre futebol. Pensei “caramba, como fui cruel com ele”. Reparei o erro, critiquei no 7 a 1, elogiei em outras ocasiões.

Em 2015 eu ganhei a oportunidade de cobrir o Palmeiras. Um time de uma torcida engajada e com expectativa enorme e com tantos problemas. Tive a humildade de arregaçar as mangas e conhecer do clube. Conhecer pessoas, torcedores, diretoria, manias, medos, conquistas e então eu me tornei setorista do palmeiras.

Para muitos torcedores cobrir o clube é torcer por ele. Não é o meu caso. Assim como a maioria dos outros repórteres que cobrem o Palmeiras, Corinthians, Flamengo, etc.

Eu nunca disse que torcia pelo Palmeiras, nunca me declarei palmeirense, mas como o imaginário popular acha sempre desse romantismo, muito torcedores passaram a me chamar de palmeirense. Tudo isso porque passei acompanhar o dia a dia do clube, ter notícias, vibrar com amigos que trabalham no clube, ficar triste com as derrotas desses amigos, sofrer igual gente grande naquele jogo contra o Fluminense e ganhar um abraço incrível de um amigo palmeirense que cobre o clube quando o Palmeiras ganhou a Copa do Brasil.

Foi o preço que eu paguei por humanizar os fatos. Comprei a causa. Deveria ter feito como diz a cartilha “não se envolva”. Desculpe decepcioná-los, mas não nasci palmeirense e vibrei com a conquista da Copa do Brasil como se fosse. Era o meu trabalho em conta. Errei.

Achava engracado, porque 8 anos atrás eu era a “corintiana fanática” e do nada virei rival.

Hoje, dia 25 de fevereiro, talvez por não aceitarem a profissional que eu me tornei e evolui em 3 anos, talvez por não aceitarem as diferenças de eu torcer por outro time, não sei porquê,  uma classe valente das redes sociais resolveu pegar no meu pé. De uma forma covarde, burra, violenta e gratuita.

De 2009 pra cá, eu ganhei muitos quilos, fiquei loira, ganhei uma sobrinha, casei, separei e aprendi a lidar com paixões. Se antes eu provocava por brincadeiras meus amigos nas redes sociais, hoje eu não consigo nem rir das minhas desgraças. A torcedora de 2009 ficou lá junto com a faculdade de arquitetura. Ela aparece de vez em quando, o coração bate forte, mas bate forte por qualquer disputa de penaltis também. Eu errei de novo. Mas que bom que o mundo não acabou, estamos aqui nos refazendo dos erros. A covardia não tem fim. Assim como a grandeza de um clube.

O que eu posso fazer com essas pessoas covardes e misóginas do meu dia 25 de fevereiro?  Uns serão processados – e o caso já está sendo acompanhado por dois advogados -; outros serão silenciados ou ignorados. A covardia vem de um lado, a reação vai de outro.

O que eu posso fazer por mim? A quem se sentiu ofendido pelo meu lado torcedora – MEUS SINCEROS PEDIDOS DE DESCULPAS! O mundo foi feito redondo pra ninguém se esconder em nenhum canto, e se 8 anos depois a profissional se encontrou com a torcedora da arquibancada é um sinal de que eu ainda tenho muita coisa pra aprender nessa vida. Assim como eu aprendi o que é a grandeza de um clube .

Seguirei torcendo pelo meu time e pelo meu trabalho. E no meu trabalho eu torço pelo time de vocês, pelos sonhos de muita gente, pelo trabalho de tanta gente querida e honesta. Coisa que hoje não foram comigo: honestos!

E a vida segue. Eles passarão. E eu passarinho.  Que a covardia de hoje seja a lenha na fogueira do nosso sucesso de amanhã. E se nada disso der certo, fiz meu papel e de forma muito honesta tentei ser a melhor jornalista possível.

Eu amo vocês!

 

 

 

 

Pelo bem da quebra de hierarquia

O ambiente no São Paulo em 2015 é bem parecido com o que terminou com a queda de Muricy Ramalho em 2009 após a eliminação na Libertadores para o Cruzeiro. Tudo é culpa do técnico, o que eu não concordo. O São Paulo pode jogar mais? Sim. Muricy Ramalho não está explorando o máximo do seu elenco caro? Não está, e não é de hoje. Os simplistas falam ‘Muricy foi vice campeão Brasileiro ano passado’. E eu os respondo: em 2014 a disposição de algumas peças do time superou as limitações da comissão técnica do São Paulo. O São Paulo após a Copa do Mundo foi pra cima do Cruzeiro, não com tanta intensidade, porque na oscilação do time mineiro, o Tricolor também não ameaçou. Porém, a analise bem particular que eu faço do vice campeonato foi a presença e a união de experiências e leitura do momento do time liderado por Kaká. O que não é novidade pra ninguém. No segundo semestre o São Paulo recebeu Rafael Toloi (que voltou da Roma), contratou Michel Bastos (com histórico no futebol europeu), além de Kaká.  No time já estavam os ótimos Souza, Alvaro Pereira, Alan Kardec e Alexandre Pato. Com jogadores desse nível e com um verdadeiro líder em campo, Kaká, cabia a Muricy Ramalho “apenas” escalar o time. Já aos jogadores restavam a concentração em colocar em prática suas experiências fora e dentro do país, somado ao talento individual de cada um e assim responder em campo o que era cobrado por Kaká. Isso tudo ficou claro nos jogos contra Internacional (Em Porto Alegre, vitoria por 1 a 0, com gol de Ganso) e contra o Cruzeiro (2 x 0, no Morumbi). Trabalhei em diversos jogos do São Paulo ano passado, e a postura de Kaká em campo sempre me chamou atenção. Quantas vezes ele atravessava todo o campo correndo até o banco pra falar com Muricy, com Rogerio Ceni e pra gritar (sim) com Pato, por um gol perdido na cara do goleiro, que o atacante preferiu dar um toque mais sofisticado. Kaká falou “Pato, você sabia que ali era pra espetar”, Pato deu risada e na segunda oportunidade foi lá e executou com perfeição. Não à toa, com Kaká no time, Pato teve a melhor media de gols da carreira. Agora pega quantas assistências de Kaká no ano, poucas.

Em 2015 sem a tal liderança, restou ao São Paulo trabalhar mais. Porém, com os problemas evidentes e com derrotas sentidas parece que tem algum cano furado minando a construção de um ano que tem tudo pra ser perfeito.

No fim do ano passado questionei Muricy Ramalho se o substituto de Kaká seria contratado por questões técnicas ou por postura. Muricy respondeu que não se encontrava ‘um Kaká’ dando sopa por ai, e que o São Paulo procuraria alguém mais pela tecnica do que pela liderança. Que erro! No começo deste ano, o vice presidente de futebol do São Paulo Ataide Gil Guerrero esteve na Rádio Globo e eu voltei a perguntar qual seria o perfil da contratação e se Zé Roberto e Montillo interessavam ao São Paulo. Ele riu, e falou “o São Paulo não contrata mais jogador acima dos 30 anos, queremos jovens”. Outro erro. Hoje o São Paulo vive uma crise de inicio de temporada. A cama está armada. O time simplesmente não joga. Parece que os jogadores olham pra diretoria e por conta dos atrasos de direitos de imagens têm uma relação de desconfiança, olham para o técnico e não acreditam que estão realmente preparados para o que vão encontrar nos jogos. Sabemos apenas 10%  sobre o que acontece além das respostas curtas do dia a dia do futebol.  Tudo isso que eu escrevi é apenas a minha teoria para o que aconteceu com o São Paulo ano passado. É começo de ano. Tem quem ache que ainda não pode cobrar alguns técnicos por ser campeonato estadual, ou por ser apenas março, ou qualquer coisa que pareça critica pessoal. Desconsiderem. Somos cobrados diariamente por resultados. O que não pode acontecer é perseguição. Mas ai não é nem jornalismo, é clubismo mesmo. Tô fora!

No campo das possibilidades

#PodemosTirarSeAcharMelhor Os questionamentos que abalam a confiança de algo que não é seguro.

Como está a evolução do seu time na temporada 2015? Quantos jogos são suficientes para  entender o que melhorou e o que ainda não está bom? O que mede o desenvolvimento de um time? Os grandes adversários encontrados (superados ou não)? As vitórias magras, mas de três pontos assim como as vitórias imponentes com mesma pontuação? São os títulos que medem se o time está ou não pronto?

Existe um mosaico de possibilidades quando se analisa futebol. No Brasil então mais ainda. Acredito que com má vontade dez jogos são suficientes para achar um monte de problemas e soluções. O Corinthians do Tite é considerado, por alguns, o melhor time do Brasil. O Internacional da estreia da Libertadores foi analisado como o pior dos grandes da serie A por tantos outros. Tenho que com o coração envolvido talvez dois anos de trabalho e nenhum título conquistado não sejam suficientes para criticas, exceto se o rosto desses dois anos for o de Muricy Ramalho.

Tudo depende do padrão que se adota nas análises. Nos últimos anos acompanhando o futebol inglês passei a olhar com um pouco mais de cuidado o trabalho de José Mourinho. Não aceitava muito aquela passagem caotica pelo Real Madrid. No primeiro ano do retorno, ônibus azul estacionado atrapalhando os títulos de Liverpool e City. Ao fim, uma campanha satisfatória no campeonato inglês, mas um time sem alma, sem nada de novo, sem até mesmo obviedades. Ao fim da temporada 2013/2014 Mourinho se desfez de alguns jogadores, como David Luiz, e trouxe outros, como Courtois (que já era do time). O Chelsea passou a incomodar, disparou no Inglês e mostra muitas variações em campo. Perdeu para o PSG na Liga dos Campeões. Mas abalou o patamar conquistado pelo time hoje, depois de tudo o que fez José Mourinho?

Elimino uma peça no meu mosaico então: determinadas derrotas não são suficientes para medir problemas.

Na contramão, o São Paulo venceu o San Lorenzo na semana passada com um gol nos minutos finais da partida. Algumas mudanças feitas por Muricy Ramalho no time surtiram efeito, pra mim, a entrada de Boschilia no lugar do Ganso acordou o time. Acredito (no fundo dos meus devaneios futebolísticos) que às vezes é bom os carinhas que estão correndo atrás da bola lembrarem quem é que está ali no banco de reservas (e nós analistas também). Após a vitória, a mão do especialista não foi enaltecida, simplesmente porque a moda agora é questionar Muricy (me incluo nisso). Vi sensação de alívio naquela vitoria, mas a atuação do São Paulo no Morumbi continuou evidenciando muitos problemas do time. A vitória não escondeu nada.

No meu mosaico então… vitórias ainda são parâmetros para questionamentos (ainda bem).